sábado, 13 de junho de 2009

A vida que teria sido

Futuro do pretérito: incerteza, hipótese, irrealidade.
Algumas vezes pensei na minha vida nesse tempo irreal, pensando no "Se"... E Se eu tivesse insistido mais, Se eu falasse mais, Se ...
Com quinze anos eu conheci o apanhador de sonhos, que me despertou um forte "Se". Ele me falou para seguir uma carreira promissora: modelo. Se eu emagresse, Se eu me cuidasse, Se eu fosse boa, ele me ajudaria. Eu emagreci, eu me cuidei e ele me ensinou o que sabia. Ele me ensinou a andar, a ter etiqueta em jantares sociais, a me acostumar com fotos e câmeras. Como naquelas histórinhas da lapidação feminina onde a menina encontra uma fada madrinha.
Tudo belo e maravilhoso, se não fosse por um problema. O apanhador de sonhos era muito ganancioso, ele tinha um termômetro em que media o interesse pessoal de cada menina e quanto maior o interesse maior o valor do cheque para aprender o que ele sabia. Depois dos cheques descontados, a menina era levada para a Fábrica das Ilusões onde aprendia a ser preparada para a Indústria da Efemeridade.
O apanhador de sonhos me ensinou parte do que sabia e a Fábrica de Ilusões complementava com outros ensinamentos. Depois de aprender tudo, eu ainda tinha que passar por um período de avaliação, onde o apanhador de sonhos e outros da área iriam me aprovar para a Indústria da Efemeridade.
A Fábrica de Sonhos era em São Paulo e minha casa na Baixada Santista. Eu tinha que subir a serra alguns dias para realizar o sonho de menina. Nos outros dias que eu ficava em casa. Eu abusava da comida. No auge da adolescência, sentindo muita fome, eu comia de tudo e exageradamente. Quando chegava os dias para eu subir para São Paulo, eu emagrecia. Sofria um efeito sanfona toda semana. Eu brincava com o meu corpo, cheguei a engordar e emagrecer cinco quilos em uma mesma semana. Isso se prolongou durante dois anos. Até que eu não agüentei mais. Antes era só a pressão para a carreira, depois começou a pressão para o vestibular. Com as duas pressões, eu explodi. O efeito sanfona não dava mais certo, eu só engordava.
Engordei, o apanhador de sonhos percebeu. Ele me deu uma semana para emagrecer. Eu não consegui. Não segui a carreira e não me achava bonita, pois não tinha mais o padrão de beleza que a Indútria da Efemeridade queria.
Eu lamentei essa desistência no passado e ficava pensando: e Se eu continuasse, e Se eu tivesse trabalhado mais, talvez estaria em Tóquio, New York , Paris, Cingapura...
No primeiro ano de faculdade, conheci um doutor chamado Augusto Cury que escreveu um livro interessantíssimo: Ditadura da beleza. Descobri nessa obra que os sintomas que eu sentia, a perfeição pelo corpo era algo que a maioria das mulheres do mundo sentem, independentes de serem modelos ou não. Foi confortante e ao mesmo tempo triste saber que outras garotas passaram pelos mesmos problemas que eu.
Um pouco antes de conhecer o livro de Augusto Cury, assisti a um video lindo chamado Filtro Solar, onde aprendi que as pessoas podem ser felizes sendo elas mesmas.
Hoje, sou mais feliz porque me aceito como sou. Ainda continuo vaidosa,como toda mulher, mas não com a obsessão de antes. Sou feliz também porque penso mais no presente e passei a agradecer por tudo o que tenho. Gosto muito da minha vida, e agradeço todos os dias pelo que conquistei até hoje e por todas as pessoas que me cercam e fazem do meu dia a dia o presente mais alegre e agradável que posso ter. Obrigada.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Pássaro do Sul

Foi no Sul que conheci um velhinho bem- humorado que fez parte de meus textos didáticos durante a época escolar. A primeira frase que li deste senhor foi um conceito sobre verdade ou quem sabe sobe mentira que nunca tinha pensado antes: “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”. Esta célebre frase é do poeta Mário Quintana. Ele nasceu em Alegrete e viveu uns tempos em Porto Alegre. E foi em um hotel antigo que fica próximo ao centro da capital do Rio Grande do Sul que ele morou. Hoje o andar do hotel que viveu o escritor serve como “Museu do Mário Quintana”, além de abrigar em outros andares o “Museu do Érico Veríssimo”, que também nasceu no Rio Grande do Sul, sala de música, cinema e muitos outros ambientes culturais.
No andarde Quintana, li uma frase que levo até hoje comigo, pela minha vida:









“Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho!

E naquele clima de desvendar a vida do Mário, descobri que ele era amicíssimo de Carlos Drummond de Andrade.
Já em outro andar há uma sala que tem muitos furos pequenos na parede. Será que a sala está com defeito, ficando velha? Não! É a sala de música, e cada furinho é para o ouvinte encaixar um fone de ouvido. O repertório musical vai desde Caetano Veloso até a Orquestra Sinfônica da Áustria, tem para todos os gostos.
Minhas descobertas pelo hotel antigo ainda não acabaram, na parte térrea do lugar, há salas de cinema, os filmes são variados, tem polonês, francês e os típicos norte-americanos que estréiam nacionalmente. Eu assisti Crônicas de Nárnia, em um ambiente com salas confortáveis e ar-condicionado( o que foi bastante agradável pois em dezembro de 2006, Porto Alegre registrava cerca de 40 graus) e por apenas dois reais, sem carteirinha de estudante, nem nada , inteira só dois reais.


Fui também ao mercado municipal da cidade, que foi fundado em 1869. Eu poderia dizer que Porto Alegre tem uma gastronomia muito forte, pois no mercado além das tradicionais bancas de vendas de alimentos havia também muitos restaurantes e sorveterias.
Um clima diferente, uma cultura européia enraizada, POA foi apenas um aperitivo do que é o sul, pois, ainda quero conhecer muito mais daquela região.